sábado, 18 de julio de 2009

Governo do Estado do Rio de Janeiro adota o Telecurso® como política pública de ensino


Consolidado como política pública de ensino no Acre, Amazonas, Pernambuco e Distrito Federal, o Telecurso® chega ao Rio de Janeiro com a missão de corrigir um dos mais graves problemas brasileiros na área de Educação: a defasagem idade-série.

(...)

Em sua primeira fase, o programa de aceleração escolar vai atender cerca de 25 mil alunos da 6ª e 7ª séries do ensino fundamental que tenham 15 anos ou mais e do 1º ano do ensino médio que tenham mais de 17. A partir de agosto 2009, outras 45 mil vagas serão abertas.

(...)

o papel do professor é fundamental. É dele a missão de mediar a aprendizagem e motivar o aluno. Para isso, eles também recebem uma formação continuada na metodologia do Telecurso®.

Na primeira fase de implementação do programa, 684 educadores de todo o estado enfrentaram esse desafio.

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“Em 10 anos de trabalho, o Telecurso® consolidou-se como uma alternativa pedagógica eficiente para corrigir a questão da defasagem em vários estados brasileiros. Mais do que uma medida corretiva, o programa auxilia preventivamente na estruturação do ensino regular”, ressalta Vilma Guimarães, gerente geral de Educação e Implementação da Fundação Roberto Marinho.


Leia mais na Web da Fundação Roberto Marinho


viernes, 10 de julio de 2009

Psicopedagogia da Ciência em Bachelard

A Psicopedagogia da Ciência em Bachelard

Por

Jacob (J.) Lumier

Autor de Ensaios Sociológicos

xlibrisWebsitio Produção Leituras do Século XX – PLSV:

Literatura Digital

http://www.leiturasjlumierautor.pro.br

Esta obra está bajo una licencia Reconocimiento-No comercial-Sin obras derivadas 3.0 Estados Unidos de Creative Commons. Para ver una copia de esta licencia, visite http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/us/ o envie una carta a Creative Commons, 171 Second Street, Suite 300, San Francisco, California 94105, USA.

Rio de Janeiro, 04 de Julho 2009

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Como se sabe, a pedagogia, o ensino da ciência, favorece e leva ao esclarecimento da psicologia envolvida na polêmica da prova.

Nota Gastón Bachelard que as condições da prova para o determinismo, os elementos da descrição que valem para a previsão, não podem ser tratados como sinônimo de causalidade, a qual, por sua vez, categoria fundamental do pensamento objetivo, se subordina ao que o pensamento objetivo exige.

A causalidade é um componente geral da experiência do cientista, é de ordem qualitativa, portanto, afirmada como psicologia da idéia de causa, que se constitui sem submeter-se às definições ultraprecisas reclamadas para fundamentar o determinismo: a ligação da causa ao efeito “subsiste apesar das desfigurações parciais da causa e do efeito”.

O caminho do ensino permanece um caminho de pensamento sempre efetivo porquanto alimentado pela “polêmica da prova”.

O espírito científico não repousa sobre crenças, sobre elementos estáticos, sobre axiomas não discutidos.

A crença no determinismo não está na base de todos os pensamentos, fora de toda discussão. Pelo contrário, "o determinismo é precisamente o objeto de uma discussão”, assunto de uma polêmica quase diária na atividade do laboratório [1].

Fora dessa polêmica alcançando "uma ligeira ignorância, uma ligeira flutuação na predição”, só restará o argumento mais psicológico, mais dogmático, em predizer o que o fenômeno esperado não será. Portanto, o ensino traz uma luz indispensável à constituição de um espírito científico. Tanto mais por ocupar-se o pensamento científico contemporâneo em assimilar a noção das leis do acaso: ligações probabilitárias dos fenômenos sem ligação real.

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O “novo espírito científico” posto em obra na microfísica, na teoria quântica e na mecânica ondulatória, já antes dos anos de 1930, foi justamente apreciado por Gaston Bachelar como “revolução relativista”.

Nesta perspectiva - e compreendendo a epistemologia “não coisista” correspondente à microfísica e seu objeto elementar como “não-sólido”- a retificação dos conceitos realizada pela Relatividade, como disposição da cultura científica do século XX, é a prova do incremento psicológico que faz avançar a história dinâmica do pensamento.

No dizer de Bachelard: “é no momento em que um conceito muda de sentido que ele tem mais sentido”; é então “um acontecimento da conceituação”. Não se pode crer na permanência das formas racionais, na impossibilidade de um novo método do pensamento. O que faz a estrutura não é a acumulação; a massa dos conhecimentos imutáveis não tem a importância funcional que se supõe”.

Se o pensamento científico é uma objetivação, “deve-se concluir que as retificações e as extensões são dele as verdadeiras molas”. Ao realizar o “incremento psicológico”, o pensamento não-newtoniano absorve a mecânica clássica e dela se distingue; produz uma convicção que se prova como progresso [2].

A perspectiva que marca o alargamento do pensamento científico é aquela que encontra “o real como um caso particular do possível”.

Antes de haver desenvolvimento das antigas doutrinas -no estudo das relações epistemológicas da ciência física contemporânea e da ciência newtoniana- há, muito antes, ”o envolvimento dos antigos pensadores pelos novos, há encaixes sucessivos" (ib.p.277).

O uso do conceito de cultura científica em sentido vago, para designar a circulação de informações a respeito das utilidades dos conhecimentos científicos, talvez seja bastante inadequado se tivermos em conta que se trata de uma noção muito complexa e precisa, na raiz da qual se situa a análise da confusão constante do determinismo e da causalidade, bem como do conflito entre o determinismo e o indeterminismo.

A cultura científica construiu-se sobre a noção das leis do acaso, das ligações probabilitárias dos fenômenos sem ligação real, de que se ocupou o pensamento científico contemporâneo, caracterizado por uma multiplicidade nas hipóteses de base. Desta forma, pressupõe o incremento psicológico que faz avançar a história dinâmica do pensamento objetivo.

O aspecto significante das análises e comentários de Bachelard que se aplicam mais diretamente nos debates interessando o pensamento probabilitário é a sua tese de que o novo espírito científico contradiz a maneira habitual de designar dogmaticamente as noções de base, as quais eram tidas como sentenças que representam experiências e valem como os então chamados “registros ou protocolos de laboratório”, isto é, os enunciados cujo valor científico está em poderem ser testados por observação.

Bachelard nos mostra que as noções iniciais devem ser solidarizadas numa definição orgânica, ligadas a casos complexos. Quer dizer, há uma correlação essencial das noções.

Mais e mais se impõe, por exemplo, a reciprocidade entre a noção de força e a noção de energia. Na teoria quântica, nada de absoluto sustenta a idéia de força, ela não é aqui a noção primitiva.

A explicação científica tende a recolher em sua base elementos complexos, e tende a não construir senão sobre elementos condicionais: a simplicidade só é admitida a título provisório e para funções bem especificadas.

Essa preocupação em preservar aberto o corpo de explicação é característica de uma psicologia científica receptiva, guardando uma espécie de dúvida recorrente, aberta para o passado de conhecimentos certos (teme-se sempre que um postulado possa sutilmente se ajuntar à ciência e desdobrá-la).

Cientificamente, pensa-se o verdadeiro como retificação histórica de um longo erro; pensa-se a experiência como retificação da ilusão comum e primeira (ib.p.334).

Sem dúvida, essas proposições de Bachelard apóiam-se em sua análise do problema do determinismo, isto é, a análise da confusão constante do determinismo e da causalidade, bem como do conflito entre o determinismo e o indeterminismo (cf.ib.pp.302 a 312).

A posse da compreensão de que um fenômeno não se desfigura com a ligeira variação dos seus traços e que, por isso, não se encaixa no indeterminismo senão parcialmente permite a Bachelard estudar a “psicologia do indeterminismo”, partindo do pensamento probabilitário até chegar às conseqüências do princípio de Heisenberg, levando à concepção de um método de individuação em que os objetos de uma lei estatística se distinguem por sua pertinência a certo grupo, superando os termos contraditórios em que, nas probabilidades estatísticas, uma propriedade é afirmada de uma classe de objetos e negada aos objetos considerados separadamente.

Quem fala de indeterminismo fala de comportamentos imprevisíveis ou imponderáveis; fala do desconhecimento sobre o tempo em que se efetuam os fenômenos de choque; fala da enorme pluralidade desses fenômenos (originariamente estudados na teoria cinética dos gases), revelando uma espécie de fenômeno geral pulverizado, onde os fenômenos elementares são estritamente independentes uns dos outros.

Ora, é justamente aí que pode intervir o cálculo das probabilidades, fundamentado na independência absoluta dos elementos [3]. É essa independência dos elementos que define a linha de conceitos que, acima do indeterminismo de base, entronizou a probabilidade no pensamento científico, com seu componente especulativo, sua disposição em correr o risco de fracassar para realizar a obra do conhecimento. Ou seja, se houvesse a menor dependência haveria uma perturbação na informação probabilitária e seria preciso um esforço sempre difícil para levar em conta uma interferência entre ligações de dependência real e as leis de estrita probabilidade.

Segundo Bachelard, foi em assimilar essa noção das leis do acaso, das ligações probabilitárias dos fenômenos sem ligação real, que se ocupou o pensamento científico contemporâneo, caracterizado por uma multiplicidade nas hipóteses de base, nas hipóteses em que métodos estatísticos diferentes têm uma eficácia limitada [4].

Desta forma, “o positivismo do provável” no dizer de Bachelard é bastante difícil de situar entre “o positivismo da experiência” e “o positivismo da razão”. Para esse autor, ainda que “a fenomenologia probabilitária” mostre as qualidades se exprimindo umas pelas outras e mesmo supondo uma base mecânica na teoria científica, a verdadeira força explicativa reside na composição das probabilidades.

Quer dizer, é preciso sempre vir a aceitar a experiência da probabilidade, mesmo que a probabilidade se apóie sobre a ignorância das causas. Há uma grande diferença em dizer que um elétron está em qualquer parte no espaço, mas não sei onde, não posso saber onde, e dizer que todo o ponto é um lugar igualmente provável para o elétron. Esta última afirmação contém, além da primeira, a garantia de que, se executo um número muito grande de observações, os resultados serão distribuídos regularmente em todo o espaço. Tal o caráter todo positivo do conhecimento provável.

Além disso, que o provável tampouco é assimilável ao irreal, nos mostra a noção de uma “causalidade provável”: o acontecimento que possui a maior probabilidade matemática acontecerá na natureza com freqüência maior correspondente. O tempo se encarrega de realizar o provável, de tornar efetiva a probabilidade.

E Bachelard vai mais longe ainda: “que haja coincidência entre a probabilidade medida, é talvez a prova mais delicada, mais sutil, mais convincente da permeabilidade da natureza à razão: a realidade auxiliada pela duração acaba sempre por incorporar o provável ao ser.

Seja como for, “as formas prováveis, os objetos dotados de qualidades hierárquicas que a ciência moderna nos habituou a manejar, não têm uma permanência absoluta”. Daí que, prossegue Bachelard, “o caminho do nosso aprendizado com a física atual nos leve mais além da ‘física dos sólidos’ e nos alimente pela instrução que poderíamos receber dos fluidos, das massas, dos aglomerados”.

É nesse caminho que Bachelard entende situar-se com sua análise um nível acima do in-determinismo de base e, por essa via, nos levar à compreensão psico-pedagógica do determinismo topológico dos procedimentos gerais, que aceita ao mesmo tempo as flutuações e as probabilidades.

Com efeito, os fenômenos tomados em sua “indeterminação elementar” podem, portanto, ser compostos pela probabilidade e desse modo assumir “figuras de conjunto”, sendo sobre essas figuras que atua a causalidade, como ligação qualitativa subsistente.

A partir deste ponto, a análise que se lê na obra de Bachelard pauta-se sobre a apreciação dos postulados de Reichenbach (“La Philosophie Scientifique”, 1932), quem tivera indicado as “relações exatas” da idéia de causa e da idéia de probabilidade, a partir da compreensão de que, nas leis deterministas, conjecturais ou que colocam os fatos em perspectiva de conhecimento e previsão, estamos na impossibilidade de levar em conta todos os fatores variáveis que intervenham.

Se, contudo, podemos fazer excelentes previsões devemo-lo à noção de probabilidade, que exprime uma lei para os fatores não considerados no cálculo.

Em resumo: pode haver convergência da experiência com o determinismo (admitindo-se em pensamento todas as condições variáveis do fenômeno), mas “definir o determinismo de outro modo senão como perspectiva convergente de probabilidade é cometer um erro insigne”.

Neste ponto, Bachelard elabora sobre a assertiva de Reinchenbach segundo a qual “coisa alguma prova a-priori que a probabilidade de toda a espécie de fenômeno tenha necessariamente uma convergência com a unidade, isto é: corrobore previamente o determinismo". Daí que as leis causais podem ser reduzidas a leis estatísticas; ou que pode haver leis estatísticas sem convergência causal, as quais dariam lugar a uma física não-causal, em que pontifica Werner Heisenberg.

Deixando de lado a negação dogmática das teses do determinismo clássico, “a revolução de Heisenberg” no dizer de Bachelard tende a estabelecer uma “indeterminação objetiva”, superando a independência com que os erros sobre “as variáveis independentes” eram tratados: com o princípio de incerteza se trata de uma correção objetiva dos erros.

Ou seja, para encontrar o lugar de um elétron é preciso iluminá-lo mediante um fóton. O encontro do fóton e do elétron modifica o lugar do elétron e, além disso, modifica a freqüência do fóton, de tal sorte que, em microfísica, não há método de observação sem a ação dos procedimentos do método sobre o objeto observado.

Há, pois, uma interferência do método e do objeto que Bachelard qualifica “interferência essencial”, corroborando sua compreensão do determinismo topológico dos procedimentos gerais.

Neste ponto, Bachelard enfoca como decorrência a “limitação das atribuições realísticas”, que pretendem empregar as palavras “posição” e “velocidade” fora do terreno em que foram definidas ou onde são definíveis (pelas relações de incerteza).

Nos diz que, desde a revolução de Heisenberg, a objeção de que noções tão fundamentais como “posição” e “velocidade” têm sentido universal, já não procedem.

As qualidades geométricas, incluindo a posição e a velocidade, não têm direito algum a serem chamadas qualidades primeiras. Só há qualidades secundárias, uma vez que toda a qualidade é solidária de uma relação (de incerteza) que faz girar as duas intuições fundamentais: a corpuscular e a ondulatória, com o domínio da física atômica apresentando-se como “o lugar de junção das intuições contrárias”.

Seguindo a Heisenberg e de um ponto de vista crítico, nota ainda Bachelard que a pretensão das atribuições realísticas no domínio epistemológico, a favor de tratar as noções fundamentais como noções universais, nutre-se na “confiança indevida que temos no absoluto da localização”.

Confiança indevida porque essa localização, antes de constituir uma exigência propriamente epistemológica, encontra-se na base da linguagem como tal, sendo toda sintaxe de “essência topológica”.

Ou seja, a pretensão em tratar as noções fundamentais como noções universais é uma expressão do “pensamento falado”, sendo contra esses arroubos que deve reagir o pensamento científico.

Assim o emprego epistemológico do termo “na realidade”, que revela essa confiança indevida no absoluto da localização, aparece a Bachelard como uma “desinteligência da designação objetiva”, já que a comunicação se refere a um grupo de átomos, de tal sorte que é preciso falar de uma “realidade coletiva".

Com efeito, o procedimento pelo qual cada objeto individual (cada sólido) era conhecido por sua localização no espaço e no tempo limitava esse objeto, que só podia ser objeto de uma lei mecânica, já que era concebido como entidade separa e distinta: é a individuação mecânica.

Os objetos de uma lei estatística, pelo contrário, podem ser dados por um método de individuação inteiramente diferente, no qual as qualidades individuais se definem por integração no conjunto. Seu único traço distintivo pode ser sua pertinência a certo grupo. Só se distinguem dos objetos exteriores a seu grupo, não se distinguem dos objetos interiores.

A lei estatística é estabelecida na suposição de que um membro do grupo é tão apropriado quanto qualquer outro para satisfazer certas condições. O indivíduo se encontra por definição como membro do grupo.

Bachelard conclui que, no domínio epistemológico, é preciso substituir ao artigo definido o artigo in-definido e limitar-se a uma compreensão finita no objeto elementar, em relação precisamente à sua extensão bem definida (por integração no conjunto). Atinge-se o real por sua pertinência a uma classe. É ao nível da classe ou grupo do objeto que é preciso procurar as propriedades do real.

Tal é segundo nosso autor a interpretação da “perda súbita da individualidade no objeto elementar”, observada na nova física do século XX por Langevin e Max Plank. E Bachelar prossegue nos dizendo que Marcel Boll assinala a importância da perda súbita da individualidade no objeto elementar, nos seguintes termos:

“Da mesma forma em que o conceito antropomórfico de força foi eliminado pela relatividade einsteiniana, assim é preciso renunciar à noção de objeto, de coisa, pelo menos num estudo do mundo da física atômica.

A individualidade é um apanágio da complexidade, e um corpúsculo isolado é simples demais para ser dotado de individualidade.

Essa orientação da ciência atual em contraste com a noção de ‘coisa’ parece ajustar-se não somente à mecânica ondulatória, mas também às novas estatísticas, e ainda à teoria do campo unitário (Einstein), que se esforça para sintetizar a gravitação e o eletromagnetismo” (cf.Boll,Marcel: “L’ Idée Génerale de la Mécanique Ondulatoire et de ses Premiéres Explications”, 1923, p.23; apud Bachelard,op.cit.p.312).

Para concluir a compreensão psico-pedagógica dos determinismos topológicos dos procedimentos gerais, temos então que, na obra de Bachelard, é a própria função realista (a sintaxe) que a ciência põe em questão.

“O produto instrumental” (elétron, campo, corrente, etc.) é inscrito como sujeito lógico e não mais substancial do pensamento científico. Os traços substanciais que sobram são traços a apagar; indicam um realismo ingênuo a reabsorver. Há um realismo persistente que é a característica essencial do pensamento humano. Mas há também o fato de que nos esforçamos para sublimar nossas noções realistas.

Segundo Bachelard, “temos necessidade de mudar o real de lugar”. É o que ocorre na ciência atual. A função realista deveria ter mais do que qualquer outra a estabilidade; a explicação substancialista deveria conservar a permanência; todavia, a função realista é cada vez mais móvel; uma mudança bem escolhida do sistema de referência suprime a gravitação, confirmando que as revoluções frutuosas do pensamento científico são crises que obrigam a uma “reclassificação profunda do realismo” (ib.p.315).

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xlibris



[1] Bachelard, Gaston: “O Novo Espírito Científico”, São Paulo, editora Abril, 1974, coleção “Os Pensadores”, vol.XXXVIII, pp.247 a 338 (1ª edição em Francês, 1935). Cf. págs.302, 303.

[2] Cf. “O Novo Espírito Científico”, op. cit. pág. 274.

[3] Em sociologia, essa independência dos elementos é característica dos fenômenos sociais totais, que são completos e soberanos, em especial os fenômenos microssociológicos, que se descobrem na formação dos agrupamentos particulares. Ver Gurvitch, Georges(1894-1965): “Determinismos Sociais e Liberdade Humana: em direção ao estudo sociológico dos caminhos da liberdade”, trad. Heribaldo Dias, Rio de Janeiro, Forense, 1968(a), 361 pp., traduzido da 2ªedição francesa de 1963. (1ªedição em Francês: Paris, PUF, 1955).

[4] Bachelard nos lembra como contraditórios, mas prestantes em diferentes partes da física, os princípios da estatística de BOSE-EINSTEIN, por um lado, e por outro lado, os da estatística de FERMI.

sábado, 27 de junio de 2009

A defesa da educação pelo poder judiciário

= A tradição de menosprezar as realizações na área de educação, quando acontecem as passagens constitucionais periódicas de uma gestão da coisa pública para outra, terá proporcionado com certeza a desvalorização do professor e o recuo na procura da vocação ao magistério.

Não é sem razão que, em face do histórico de descontinuidade nos projetos de amplo alcance, professores e cidadãos preocupam-se com a garantia de continuidade para os projetos educativos integrados.

Há um tempo, quando foram elaborados e estabelecidos os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) houve um esforço conseqüente para dotar as instituições de ensino superior da qualidade necessária, inclusive com o reconhecimento do mercado, mas a troca do governo interrompeu inopinadamente essa realização.

Acontece que tal interrupção não poderia ter sucedido sem motivo de força maior. E não houve tal motivo. Não poderia ter ocorrido em razão de que já estava prevalecendo à época como se sabe o fenômeno que os juristas designam por JUDICIALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO, assegurando a intervenção do Poder Judiciário nas questões educacionais em vista da proteção desse direito.

No texto abaixo reproduzo os preliminares do artigo jurídico que esclarece o alcance e o valor normativo da judicialização da educação.
Fonte: Websitio do Movimento do Ministério Público Democrático

= A atual Constituição Federal de 1988 representou um marco significativo no encaminhamento dos problemas relativos à educação brasileira, posto que estabeleceu diretrizes, princípios e normas que destacam a importância que o tema merece. Reconheceu a educação como “um direito social e fundamental, possibilitando o desenvolvimento de ações por todos aqueles responsáveis pela sua concretização, ou seja, o Estado, família, sociedade e a escola (educadores)” (FERREIRA, 2008, p. 37), bem como a concebeu como um direito público subjetivo, assim compreendido como a faculdade de se exigir a prestação prometida pelo Estado .

Na verdade, estabeleceu uma verdadeira declaração de direitos relativos à educação, que, segundo Oliveira (2001, p. 41) resumem-se em:
• gratuidade do ensino oficial em todos os níveis;
• garantia do direito aos que não se escolarizaram na idade ideal;
• perspectiva da obrigatoriedade do ensino médio, substituída pela perspectiva de sua universalização com a EC. 14;
• atendimento especializado aos portadores de deficiência;
• atendimento, em creche e pré-escola, às crianças até cinco anos de idade (redação de acordo com a Emenda Constitucional n. 53/06);
• oferta do ensino noturno regular;
• previsão dos programas suplementares de material didático-escolar;
• prioridade de atendimento à criança e ao adolescente.

Esta versão legal do direito à educação, dentro desse conjunto, não se mostrava presente nas constituições passadas, e por conseqüência, no ordenamento jurídico vigente. Até então, tínhamos boas intenções e proteção limitada com relação à educação, mas não uma proteção legal, ampliada e com instrumentos jurídicos adequados à sua efetivação. Basta analisar o que afirma KOZEN (199, p. 659) a respeito do assunto:

"Até a vigência da atual Constituição Federal, a educação, no Brasil, era havida, genericamente, como uma necessidade e um importante fator de mudança social, subordinada, entretanto, e em muito, às injunções e aos acontecimentos políticos, econômicos, históricos e culturais. A normatividade de então limitava-se, como fazia expressamente na Constituição Federal de 1967, com a redação que lhe deu a Emenda Constitucional n. 01, de 17 de outubro de 1969, ao afirmar da educação como um direito de todos e dever do Estado, com a conseqüente obrigatoriedade do ensino dos 7 aos 14 anos e a gratuidade nos estabelecimentos oficiais, restringindo-se, quanto ao restante, inclusive na legislação ordinária, a dispor sobre a organização dos sistemas de ensino. Em outras palavras, a educação, ainda que afirmada como um direito de todos, não possuía, sob o enfoque jurídico e em qualquer de seus aspectos, excetuada a obrigatoriedade da matrícula, qualquer instrumento de exigibilidade, fenômeno de afirmação de determinado valor como direito suscetível de gerar efeitos práticos e concretos no contexto pessoal dos destinatários da norma".

Assim, a partir da atual Constituição e das leis que se seguiram, a educação passou a ser efetivamente regulamentada, com instrumental jurídico necessário para dar ação concreta ao que foi estabelecido, pois de nada adiantaria prever regras jurídicas com relação à educação (com boas intenções) se não fossem previstos meios para a sua efetividade.

Desta forma, a partir de 1988, o Poder Judiciário passou a ter funções mais significativas na efetivação desse direito. Inaugurou-se no Poder Judiciário uma nova relação com a educação, que se materializou através de ações judiciais visando a sua garantia e efetividade. Pode-se designar este fenômeno como a JUDICIALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO, que significa a intervenção do Poder Judiciário nas questões educacionais em vista da proteção desse direito até mesmo para se cumprir as funções constitucionais do Ministério Público e outras instituições legitimadas.


Leia a continuação online.

viernes, 26 de junio de 2009

Divulgação Científica

Mensagem divulgada na Web da OEI

= Em relação à divulgação científica, há como se sabe uma orientação que visa não só a possibilidade de acesso e a aquisição da informação, mas pretende promover a formação do cidadão, no sentido de que ele possa ter opiniões e uma visão crítica de todo o processo envolvido na produção do conhecimento científico com sua circulação.

O espaço iberoamericano do conhecimento pode dar lugar a esta orientação.

= Ao longo do século vinte, devido à acentuação do vínculo que enlaça o conhecimento aos quadros sociais, tornou-se extremamente difícil esperar, no caso das ciências humanas e sociais, que o público não-profissional acolha a distinção metodológica entre (a) as proposições testáveis ou “formulações irrealistas” dos sociólogos científicos, feitas “no interesse da boa teoria científica” – como o postulado do comportamento que se conforma aos papéis sociais – por um lado e, por outro, (b) as afirmações de valor sobre a natureza do homem, que sejam atribuídas como decorrentes ou implícitas naquelas proposições teoréticas.

= Os postulados deliberadamente irrealísticos de uma teoria (conjectural) científica implicam uma divergência fundamental do mundo do senso comum que está no cerne da “contradição” entre esse “mundo do senso comum” e a ciência. Esta, por sua vez, ao mesmo tempo em que acolhe a inadequação de um argumento puramente lógico – a lógica da pesquisa científica sendo especificamente baseada na incerteza fundamental do conhecimento humano – não é possível sem a publicidade .

= Daí as duas orientações complementares:
(a) - se é o caráter profissional que se impõe ao público da ciência, há compreensão da distinção sutil entre as afirmações entendidas em modo realista (ingênuo) e os postulados deliberadamente irrealísticos. Então, a classe do conhecimento científico prevalece na comunicação ou divulgação.
(b)- Se, pelo contrário, é o caráter não-profissional que se impõe há “não-compreensão”, e a classe do conhecimento do senso comum prevalece, com a atribuição de uma imagem sobre a “natureza do homem” sendo afirmada em um “falso saber”.

Veja a mensagem na Web da OEI

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25 de junio de 2009

lunes, 22 de junio de 2009

O trabalho científico, os públicos e o falso saber

O trabalho científico, os públicos e o falso saber

A construção dos objetos precisos da experiência e do conhecimento sendo presidida pelo procedimentos de dialetização [1] descarta a aplicação de qualquer “paradigma” ou modelo de análise exterior à explicação sociológica ou que pretenda substituir os procedimentos dialéticos tirados da realidade social ela mesma.

Deste ponto de vista, a marcha dos temas coletivos reais se desdobra no avanço da colocação em perspectiva sociológica do conhecimento, como um fato “transparente” cada vez mais acentuado ao longo dos séculos modernos e definitivamente assimilado na cultura do século XX.

Assim por exemplo, tornou-se extremamente difícil esperar que o público não profissional acolha a distinção metodológica entre (a) as proposições testáveis ou “formulações irrealistas” dos sociólogos científicos, feitas “no interesse da boa teoria científica” – como o postulado do comportamento que se conforma aos papéis sociais – por um lado e, por outro, (b) as afirmações de valor sobre a natureza do homem, que sejam atribuídas como decorrentes ou implícitas naquelas proposições teoréticas.

Ralf Dahrendorf reconhece que, por trás desta atribuição indevida de valor, tida por uma “espécie de reificação dos postulados”, observa-se que “o público geral não compreende a distinção sutil entre as afirmações entendidas realisticamente e os postulados deliberadamente irrealísticos de uma teoria (conjectural) científica". Estes últimos implicam uma divergência fundamental do mundo do senso comum que está no cerne da “contradição” entre esse “mundo do senso comum” e a ciência.

Esta, por sua vez, ao mesmo tempo em que acolhe a inadequação de um argumento puramente lógico, como ressalta aquele autor, – a “lógica da pesquisa científica sendo especificamente baseada na incerteza fundamental do conhecimento humano” – não é, entretanto possível sem a publicidade [2].

Desta forma, é inegável que esta situação de aparente contradição em face da incompreensão pelo público geral da “distinção sutil” de Dahrendorf acima destacada revela-se dialética.

Por esta via, nos colocam diante de duas orientações complementares, atinentes ao público da ciência como quadro social, configurando-se um caso de variação do saber, seguinte: (a) - se é o caráter profissional que se impõe ao público da ciência, há compreensão da distinção sutil entre as afirmações entendidas realisticamente e os postulados deliberadamente irrealísticos. E a classe do conhecimento científico, então, prevalece.

(b)- Se, pelo contrário, é o caráter não-profissional que se impõe há “não-compreensão”, e a classe do conhecimento do senso comum prevalece, com a atribuição de uma imagem sobre a “natureza do homem” sendo afirmada em um “falso saber”.

Desta forma vem a ser suscitada a sociologia do conhecimento, que exige a análise diferencial das classes de conhecimento. Quer dizer, a análise das sete classes do conhecimento mais profundamente implicadas (a)-na realidade social e (b) - na engrenagem de suas estruturas. A saber: 1) o conhecimento perceptivo do mundo exterior, que se nos apresenta como um domínio privilegiado, 2) o conhecimento de outro, dos Nós, dos agrupamentos particulares, das classes sociais e das sociedades; 3) o conhecimento de senso comum, 4) o conhecimento técnico, 5) o conhecimento político, 6) o conhecimento científico, 7) o conhecimento filosófico [3] .

***



[1] Gurvitch, Georges (1894-1965): “Dialectique et Sociologie”, Flammarion, Paris 1962, 312 pp., Col. Science.

[2] Dahrendorf, Ralf: “Ensaios de Teoria da Sociedade”, Trad. Regina Morel, Revisão E Notas Evaristo de Moraes Filho, Zahar - Editora da Universidade de São Paulo (Edusp), Rio de Janeiro 1974, 335 pp. (1ªedição Em Inglês, Stanford, EUA, 1968). Cf. págs.114 a 117.

[3] Leia mais em Jacob (J.) Lumier: "Leitura da Teoria de Comunicação Social", Web da OEI, 2007,

Proyecto Iberoamericano de Divulgación Científica


Proyecto Iberoamericano de Divulgación Científica

José A. López Cerezo/OEI-AECID/DICYT

Es difícil exagerar la importancia de la ciencia en el mundo actual. La sociedad del conocimiento, la edad de la información, la economía de la innovación, son frases de moda que podemos encontrar en documentos políticos, literatura especializada y los medios de comunicación más diversos.

No son términos vacíos: hacen referencia a las nuevas realidades y potencialidades del mundo contemporáneo, donde la ciencia y la tecnología se han convertido en fundamento de la productividad, de las políticas públicas e incluso han cobrado un papel protagonista en la experiencia personal. Se trata no obstante de un mundo que tiene un lado más sombrío, el lado de los riesgos y de las amenazas.

Crisis y amenazas como las de las vacas locas, petroleros a la deriva, centrales nucleares mal conservadas o el cambio climático también ponen periódicamente de manifiesto el lugar central que, para bien o para mal, ocupa hoy conocimiento científico y el desarrollo tecnológico en nuestra sociedad.

El extraordinario poder preventivo que ofrece la ciencia, y las crecientes posibilidades de manipulación que hace posible la acción tecnológica, ha transformado los peligros del pasado en los riesgos actuales, sustituyendo las desgracias inevitables de entonces por daños reales o potenciales que producen indignación y son objeto de atribución de responsabilidad.

Pero no sólo ante posibles daños catastróficos se manifiesta el valor del conocimiento en la conducción de nuestras vidas. Al tomar una aspirina, conducir un coche, encender un ordenador, decidirnos por la ternera en el supermercado, o pedir un refresco light, hacemos uso cada día de enormes volúmenes de información técnica sobre las propiedades de ciertas sustancias, sobre sus riesgos y beneficios, sobre el funcionamiento de sistemas técnicos y otros muchos elementos del entramado científico-tecnológico en el que hoy se desenvuelven necesariamente nuestras vidas. Sobre esa información, en ocasiones contradictoria y con frecuencia incierta, tomamos las decisiones que paulatinamente van construyendo nuestro futuro. Son facetas de lo que hoy se conoce como “sociedad del riesgo”: el lado oscuro de la también conocida como “sociedad del conocimiento”. El mismo conocimiento que hace posible vivir un futuro abierto de posibilidades tecnológicas es el que genera un mundo nuevo de amenazas, aunque se trata de amenazas, irónicamente, con frecuencia identificadas por esa misma ciencia y a las que sólo ésta puede hacerles frente con ciertas expectativas de éxito.

Es este estado de cosas, la presencia y extensión de esas sociedades del riesgo y el conocimiento, el que hace hoy de la ciencia un elemento clave para el ejercicio de la ciudadanía. Muchos de los asuntos públicos más candentes, y un gran número de acciones y decisiones de la vida cotidiana, están relacionados directamente con los usos del conocimiento científico o con impactos del desarrollo tecnológico.

La telefonía móvil, Internet, la aviación comercial o las agendas electrónicas son aspectos llamativos de la presencia de la ciencia en nuestras vidas; pero también la televisión, la planificación de dietas, la visita al médico, el desplazamiento en metro, el consumo de agua clorada o simplemente el uso de tejidos sintéticos al vestirnos, tan familiares ya como el decorado de nuestras casas. No son fenómenos social o individualmente inevitables; son simplemente expresiones del camino que la ciencia y la tecnología están siguiendo de hecho. El riesgo no es el precio del progreso, es el peaje que pagamos por las opciones que elegimos para el desarrollo. Si no nos gusta todo lo que vemos, cambiémoslo pero no demos la espalda al presente. Vivir de espaldas a la ciencia es renunciar al juicio propio en los asuntos públicos e incluso al protagonismo de nuestras propias vidas, es vivir en los márgenes de la democracia y optar por el sonambulismo.

18 de junio de 2009

Reproduzido por Jacob (J.) Lumier

Fonte: Web da OEI